O que foi a Reforma Protestante? Como surgiu o protestantismo?

A Reforma Protestante foi um movimento para reformar as doutrinas da igreja, que levou à divisão entre a Igreja Católica e as igrejas protestantes. A partir da Reforma Protestante, surgiu uma grande variedade de igrejas e filosofias diferentes. A base do movimento protestante é que toda doutrina cristã deve ser fundamentada na Bíblia.

Uma igreja em crise

No século XVI, a Igreja Católica estava em crise. Cada vez mais pessoas protestavam contra os abusos da liderança da igreja, como:

  • A riqueza, corrupção e devassidão dos líderes da igreja
  • A “venda do perdão” (ao dar uma doação à igreja, a pessoa recebia uma indulgência pelo pecado)
  • Sua procura por cada vez mais poder político

Apesar de passar a imagem de ser muito unida, a Igreja Católica enfrentava divisões. Alguns séculos antes, a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa se tinham separado, principalmente por causa de questões de poder. O Papa queria poder absoluto sobre a igreja mas os ortodoxos discordavam.

Veja aqui: o que é a Igreja Ortodoxa?

Além disso, algumas pessoas mais cultas começaram a ler a Bíblia e descobriram que certas coisas que a Igreja Católica ensinava contradiziam a palavra de Deus. Antes da Reforma Protestante, várias pessoas tentaram abrir debates sobre esses assuntos e reformar a Igreja Católica. No entanto, a resposta da liderança da igreja foi rejeitar o debate e perseguir quem protestasse.

O surgimento da Reforma Protestante

Em 1517, um monge alemão chamado Martinho Lutero publicou as 95 Teses, um documento queixando contra 95 coisas que achava que estavam erradas na Igreja Católica. Esse ato teve consequências muito maiores do que se podia imaginar...

As ideias de Lutero encontraram aprovação entre muitas pessoas que, por vários motivos, estavam em desacordo com a Igreja Católica. Assim, Lutero ganhou bastantes apoiantes. No entanto, a Igreja Católica condenou suas ideias e recusou qualquer ideia de reforma na sua doutrina. Como Lutero também se recusou a abandonar suas ideias, foi excomungado.

Veja aqui a história de Martinho Lutero.

Assim, o que tinha começado como um movimento para reformar a Igreja Católica se tornou um novo ramo do Cristianismo. O movimento ficou conhecido como a Reforma Protestante porque seus membros queriam reformar a igreja, voltando para a verdade da Bíblia, e protestavam contra os erros da Igreja Católica.

Além de Lutero, vários outros pensadores influenciaram a Reforma Protestante, como Calvino, Zuínglio e Knox. Por sua influência (e pela motivação de governantes que se queriam ver livres do poder político do Papa), o protestantismo se espalhou pela Europa do Norte. Surgiram assim as igrejas luteranas, presbiterianas, reformadas, anglicanas e outras nacionais.

Os cinco pilares do protestantismo

Os cinco ensinamentos principais que distinguem as igrejas protestantes são:

  • Somente as Escrituras devem ser a base de toda e qualquer doutrina; as tradições da igreja só têm valor se tiverem bom embasamento na Bíblia – Atos dos Apóstolos 17:11
  • Somente a graça de Deus nos salva, porque ninguém consegue merecer a salvação; é um presente gratuito de Deus – Romanos 6:23
  • Somente pela fé somos salvos e justificados do pecado; nossas obras não nos salvam – Efésios 2:8-9
  • Somente Cristo salva; o sacrifício de Jesus na cruz é suficiente para todos os pecados; ninguém mais pode nos salvar do pecado – Hebreus 10:12-14
  • Somente Deus merece glória; ninguém mais merece nossa adoração – nem outros deuses, nem santos, nem Maria, nem qualquer outra pessoa – Isaías 42:8

Veja também: por que existem tantas igrejas diferentes? Qual é a certa?

Os resultados da Reforma Protestante

A Reforma Protestante gerou uma grande mudança na História do Cristianismo. Novas ideias surgiram e a forma como a Bíblia era encarada mudou muito.

Para combater o movimento protestante, a Igreja Católica fez uma Contra-Reforma. Alguns ensinamentos da igreja foram radicalizados e, nos países católicos, protestantes foram brutalmente perseguidos pela Inquisição. Nos países protestantes também houve muita violência contra católicos. A busca por poder pelos líderes políticos dos dois lados levou a muita violência e crueldade.

Nos países protestantes, mais pessoas tiveram acesso à Bíblia. Assim, ficaram menos dependentes dos ensinamentos da liderança e podiam verificar se o que estava sendo dito era certo. Eventualmente, a Reforma Protestante levou a mais liberdade religiosa.