Onde está a Arca da Aliança?

Pr. Marcelo Teixeira Mallet
Pr. Marcelo Teixeira Mallet
Pastor Batista

Ninguém sabe onde está a Arca da Aliança. Ela desapareceu alguns séculos antes do nascimento de Jesus.

A Bíblia não diz o que aconteceu com a Arca da Aliança.

O último relato sobre a Arca da Aliança na Bíblia

A última referência à Arca da Aliança na Bíblia foi no reinado de Josias, descendente de Davi, que realizou uma reforma religiosa e restaurou o templo.

Josias mandou que os levitas parassem de levar a Arca de um lado para outro e a devolvessem ao templo, onde pertencia (II Crônicas 35:3).

Veja aqui mais sobre a importância da Arca da Aliança na Bíblia.

Cerca de 22 anos depois da morte do rei Josias, Jerusalém foi invadida por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Ele destruiu o templo e levou seus utensílios para a Babilônia (II Crônicas 36:17-19). No entanto, a Bíblia não diz o que aconteceu com a Arca da Aliança.

8 teorias sobre o que teria acontecido com a Arca da Aliança:

Existem muitas teorias sobre o que aconteceu com a Arca da Aliança. Veremos as que são mais aceitas atualmente.

1. A Arca foi levada por Nabucodonosor

Nabucodonosor teria levado a Arca da Aliança para a Babilônia, com os outros objetos do templo. A Arca era uma obra de arte valiosa e o símbolo do Deus de Israel. Levá-la para sua terra representaria a sua vitória total sobre o povo de Israel.

No entanto, seria estranho que a Bíblia não falasse desse acontecimento, quando conta com detalhes sobre todos os outros objetos e utensílios levados (2 Reis 25:13-17).

Além disso, quando os israelitas voltaram do exílio na Babilônia, eles trouxeram consigo os utensílios do templo, mas não trouxeram a arca. Se a Arca estivesse na Babilônia, os judeus nunca a deixariam lá.

Veja também: quem foi Nabucodonosor?

2. A Arca foi destruída pelos babilônios

Nabucodonosor teria mandado destruir a Arca da Aliança, com o templo. A presença da Arca encorajava os judeus, que a levavam para as batalhas. Destruir a Arca da Aliança seria uma boa forma de destruir a esperança dos judeus e impedi-los de se revoltarem.

Mais uma vez, o silêncio da Bíblia é estranho. A destruição da Arca seria um acontecimento muito sério, digno de ser registrado.

3. A Arca foi levada para o Céu

O texto de Apocalipse 11:19 afirma que o apóstolo João teve uma visão da Arca da Aliança nos céus.

Deus teria levado a Arca para o céu, para confirmar o fim da "antiga" Aliança. A visão de João da Arca no céu também seria uma confirmação da Nova Aliança estabelecida por Jesus. É possível, também, que Deus tenha realizado isso para evitar alguma superstição ou idolatria relacionada com a Arca da Aliança.

Aqueles que se opõe a essa teoria afirmam não haver nenhum outro registro bíblico de que a Arca teria sido levada para o céu.

Segundo eles, Moisés recebeu a ordem para construir o tabernáculo, que incluía a Arca, conforme o modelo que lhe havia sido mostrado no monte (Êxodo 26:30). De acordo com essa interpretação, o Tabernáculo terreno era uma espécie de “maquete” do santuário nos céus.

Moisés teria, então, observado no céu, o modelo da Arca que ele deveria construir. Conforme essa posição, João teria observado a mesma coisa.

No entanto, essa interpretação contrária a Arca ter sido levada para o céu, não responde à pergunta sobre onde estaria a Arca da Aliança.

Independentemente de qualquer coisa, o fato de João ter visto a Arca da Aliança no céu, representa a origem divina do pacto estabelecido por Deus com seu povo. Seja na "Nova" ou na "Velha" Aliança.

4. A Arca foi escondida por Deus

Alguns acreditam que a Arca teria sido escondida pelo próprio Deus aqui na Terra.

No entanto, não há nenhum registro na tradição judaica ou na Bíblia sobre o assunto.

5. A Arca foi levada e está guardada na Etiópia

A Arca estaria guardada na Etiópia hoje.

Segundo uma tradição judaica, a rainha de Sabá, ao visitar Salomão (I Reis 10:1-13), teria engravidado e tido um filho dele.

Salomão teria dado a esse filho uma réplica da Arca da Aliança de presente. Entretanto, esse filho, que se chamava Menelique, teria colocado essa réplica no templo e levado a original para a Etiópia.

De acordo com essa teoria a réplica é que teria desaparecido e a original estaria atualmente na Etiópia.

Existe um local na Etiópia hoje, guardado por religiosos etíopes de origem judaica, que afirmam que Arca da Aliança está lá.

O problema é que ninguém pode constatar se, de fato, é ela que está lá.

Outro problema sobre essa teoria, é que os judeus jamais permitiriam que uma réplica da Arca fosse colocada no tempo, no lugar da original.

6. A Arca está enterrada embaixo da colina do Calvário

A Arca estaria enterrada em uma gruta que fica abaixo do lugar onde Jesus foi crucificado.

Ron Wyatt foi um enfermeiro anestesista, que ficou famoso por anunciar grandes descobertas arqueológicas. Ele afirmou haver encontrado a Arca da Aliança enterrada abaixo do suposto local onde teria sido a crucificação de Jesus.

Segundo Wyatt, quando Jesus foi crucificado, o seu sangue teria penetrado na terra, escorrido por uma rachadura no solo e caído sobre a Arca. Cumprindo, assim, os rituais do Antigo Testamento.

Ron Wyatt morreu sem revelar o local onde Arca estaria enterrada. Depois da sua morte o local foi escavado por especialistas israelenses e nada foi encontrado.

Se Ron Wyatt tivesse mesmo encontrado a Arca, porque ele não teria revelado o seu local?

Conforme os seguidores de Wyatt, ele não revelou o local por receber a orientação de anjos para não fazer isso.

É muito provável que Israel realizasse uma escavação exaustiva naquele lugar, caso essa informação fosse verdadeira.

7. A Arca foi colocada em uma gruta por Jeremias

Uma tradição judaica, baseada no texto de II Macabeus 2:4-5 (Bíblias católicas), afirma que o profeta Jeremias colocou a Arca em uma gruta e fechou a sua entrada.

Segundo o relato do livro de II Macabeus, esse local seria o Monte Nebo, de onde Moisés avistou a “Terra Prometida” antes da sua morte.

Essa possibilidade parece ser muito remota pelo fato de que a cidade estaria cercada na época do desaparecimento da Arca. Seria quase impossível para Jeremias sair da cidade carregando um objeto tão valioso.

Descubra aqui mais sobre a história de Jeremias.

8. A Arca foi depositada nas fundações do templo.

Os judeus podem ter escondido a Arca da Aliança antes da chegada de Nabucodonosor. Isso seria uma boa ideia, se pensassem que a Arca corria o perigo de cair nas mãos dos inimigos.

Essa é a teoria mais aceita pelos arqueólogos modernos.

Segundo a Mishná (uma Lei Oral do Século II d.C.) os sacerdotes esconderam a Arca da Aliança um pouco antes da invasão de Nabucodonosor em Jerusalém em 586 AC. A Arca teria sido colocada num compartimento onde se guardava madeira para ser usada no altar. Esse compartimento ficaria no subterrâneo do “Pátio das Mulheres” e teria cerca de 18 metros quadrados.

Como hoje existe uma mesquita muçulmana naquele local, sob responsabilidade do governo muçulmano da Jordânia, ninguém tem autorização para realizar escavações arqueológicas ali.

Por isso é impossível sabermos se, de fato, ela ainda está lá.

Se essa teoria é verdadeira fica uma pergunta: porque os judeus que voltaram do cativeiro não escavaram até encontrar a Arca quando reconstruíram o segundo templo?

É possível encontrar a Arca da Aliança?

Talvez, algum dia, alguém possa encontrá-la.

Existem outras teorias sobre o que aconteceu com a Arca da Aliança, mas todas sem muito fundamento. A verdade é que atualmente ninguém sabe onde está a Arca da Aliança.

Entretanto, hoje a Arca não é mais necessária (Jeremias 3:16). Antigamente, Deus manifestava a Sua presença junto da Arca, mas hoje Ele se manifesta por Jesus.

A Arca da Aliança era apenas um símbolo daquilo que viria depois.

Agora Deus está presente no coração de cada crente.

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Pr. Marcelo Teixeira Mallet
Pr. Marcelo Teixeira Mallet
Bacharel em Teologia com ênfase em Teologia Histórico-Sistemática e Aconselhamento pelo Seminário Teológico de Gramado (RS, Brasil) e Mestrando em Estudos Teológicos pelo Seminário Teológico Baptista de Lisboa (Portugal). Pastor batista desde fevereiro de 1994.