Quem foi José (pai de Jesus) na Bíblia

Equipe do Bíbliaon
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A Bíblia nos dá poucos detalhes sobre a vida de José, o pai de Jesus, também conhecido como José de Nazaré ou José, o Carpinteiro. A Bíblia o descreve como um homem justo (Mateus 1:19). Curiosamente, não existe nenhuma fala de José nos Evangelhos, e mesmo assim ele teve um papel enorme: apesar de não ser o pai biológico, coube a José proteger, educar e cuidar do menino Jesus até a fase adulta.

Boa parte das dúvidas sobre José esbarra num silêncio da Bíblia. As Escrituras não contam como ele morreu, com que idade ou onde estava na crucificação. A última vez que José aparece é quando Jesus tinha 12 anos, no templo (Lucas 2:41-52). O que se costuma dizer sobre a morte e a idade dele vem da tradição cristã, não do texto bíblico, e vale a pena separar as duas coisas.

Um esclarecimento que evita confusão: este José não é o mesmo José do Antigo Testamento. O José do Egito foi o filho de Jacó, vendido pelos irmãos, que se tornou governador no Egito. Aqui falamos de José de Nazaré, o marido de Maria, no Novo Testamento. São duas pessoas diferentes, em épocas diferentes.

Acontecimentos importantes da vida de José segundo a Bíblia

  • José não tem nenhuma fala registrada na Bíblia
  • Não teve relações com Maria antes do nascimento de Jesus (Mateus 1:18-25)
  • Não era o pai biológico de Jesus (Mateus 1:18)
  • A princípio, pensou em anular o casamento em segredo (Mateus 1:19)
  • Desistiu disso depois que um anjo lhe apareceu em sonho (Mateus 1:20-24)
  • Deu ao menino o nome de Jesus, como o anjo ordenou (Mateus 1:25)
  • Pertencia à casa e à linhagem do rei Davi (Lucas 2:4)
  • Teve outros filhos além de Jesus (Mateus 13:55-56; Marcos 6:3)
  • A última menção a José é quando Jesus tinha 12 anos (Lucas 2:48)
  • Maria provavelmente já era viúva na crucificação (João 19:25-27)
  • A Bíblia não dá nenhum detalhe sobre a morte de José

José e Maria: o noivado, a gravidez e a decisão de José

A Bíblia não conta muito sobre a relação do casal, mas mostra o cuidado de José por Maria através das suas atitudes. Quando soube que Maria estava grávida, e sabendo que o filho não era dele, José poderia tê-la exposto publicamente. Ele escolheu o contrário. Mateus registra que, "por ser José um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente" (Mateus 1:19). Um divórcio público viraria escândalo e deixaria Maria, grávida, numa posição de perigo diante da sociedade da época.

Foi então que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo" (Mateus 1:20). José obedeceu de imediato. Recebeu Maria como esposa e assumiu o cuidado dela e do menino (Mateus 1:24-25). Na Bíblia dá para perceber a liderança, e a obediência, de José nas decisões da família: a escolha do nome (Mateus 1:25), a fuga para o Egito (Mateus 2:13-15), o nascimento (Lucas 2:5-7) e a apresentação de Jesus no templo (Lucas 2:22-24).

Todos os anos José levava a família a Jerusalém para a festa da Páscoa. Numa dessas viagens, o casal perdeu Jesus de vista e passou três dias à sua procura (Lucas 2:44-46). Ao encontrá-lo no templo, Maria expressou a aflição dos dois pais: "Seu pai e eu estávamos aflitos, à sua procura" (Lucas 2:48).

Saiba: Quem foi Maria, mãe de Jesus.

José e Jesus: o pai que criou o menino (e seus outros filhos)

José foi o "pai do coração" de Jesus. Apesar de não ser seu filho de sangue, teve toda a responsabilidade de pai: ensinou, sustentou e protegeu o menino até a vida adulta. A Bíblia não descreve a relação entre pai e filho, mas tudo indica que José foi um pai responsável e que amava muito Jesus.

Quem pergunta quantos filhos José teve encontra a resposta no próprio texto. Ao ver Jesus ensinando, os vizinhos de Nazaré reagem: "Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão conosco todas as suas irmãs?" (Mateus 13:55-56). São quatro irmãos citados pelo nome, além das irmãs. Na leitura evangélica, esses são filhos de José e Maria, nascidos depois de Jesus. Outras tradições cristãs entendem esses "irmãos" como primos ou como filhos de um casamento anterior de José.

Veja também: como foi a infância de Jesus e os irmãos de Jesus

José, o carpinteiro: qual era a profissão de José

A profissão de José aparece de passagem, mas diz muito. Na antiguidade, a palavra traduzida por carpinteiro (no grego, tektōn) tinha um sentido mais amplo do que hoje. Não era só quem fazia móveis, mas o trabalhador que construía com madeira e pedra, algo próximo de um construtor. Naquele tempo não existiam profissões como engenheiro civil, arquiteto ou designer, e a maior parte das construções envolvia trabalho de carpintaria. Provavelmente José trabalhava na construção, não na produção de móveis.

Há um detalhe interessante nos Evangelhos. Mateus fala do "filho do carpinteiro", ou seja, de José (Mateus 13:55). Já Marcos chama o próprio Jesus de "o carpinteiro, filho de Maria" (Marcos 6:3). Pelo costume da época, o filho aprendia o ofício do pai, o que nos leva a crer que Jesus ajudou José na oficina durante a adolescência. Ainda assim, a Bíblia não afirma que Jesus tenha sido carpinteiro antes do seu ministério.

A genealogia de José: de quem ele era filho e a linhagem de Davi

José aparece nas duas listas de antepassados de Jesus, uma em Mateus 1:1-17 e outra em Lucas 3:23-38, com algumas diferenças. A mais notada está no nome do pai de José. Mateus diz que "Jacó gerou José, marido de Maria" (Mateus 1:16). Lucas, ao montar a sua lista, chama José de filho de Eli (Lucas 3:23). São dois nomes diferentes, e é justo perguntar por quê.

Os estudiosos explicam essa diferença de mais de uma forma. Mateus segue a linha oficial, de pai para filho, mostrando que Jesus é o herdeiro legal do trono de Davi. Sobre Lucas, uma explicação comum entre evangélicos é que ele registra a linha de Maria, e que José aparece como "filho de Eli" por ser genro dele, marido de Maria. É uma leitura possível, mas continua sendo uma proposta dos estudiosos, não algo que o texto afirme: a NVI de Lucas 3:23 diz apenas que Jesus "era considerado filho de José". O mais seguro é apresentar isso como uma interpretação, não como certeza.

O ponto que importa está firme nos dois relatos. Por meio de José, Jesus entra na descendência de Davi, da tribo de Judá. Como pai legal, José dá a Jesus um lugar na família de onde, segundo as Escrituras, viria o Messias. Essa ligação com Davi aparece de forma direta quando José vai a Belém "porque pertencia à casa e à linhagem de Davi" (Lucas 2:4).

Veja: A genealogia de Jesus.

O que aconteceu com José: a morte e o silêncio da Bíblia

Esta é a pergunta que mais gente faz, e a resposta sincera é que a Bíblia não conta. Não há nenhum versículo sobre a morte de José, nem sobre a idade ou a causa. A última vez que ele aparece é no templo, com Jesus aos 12 anos. Depois disso, quando Jesus começa a pregar, os Evangelhos falam de "sua mãe e seus irmãos", mas nunca mais de José. Esse silêncio é a principal pista.

A cena mais reveladora está na cruz. Ali, Jesus vê Maria e entrega o cuidado dela ao discípulo amado: "Aí está o seu filho... Aí está a sua mãe" (João 19:26-27). Se José ainda estivesse vivo, esse gesto não faria sentido, porque cuidar da esposa caberia a ele. Por isso a maioria dos estudiosos crê que José já havia morrido antes do ministério público de Jesus. Isso também responde à dúvida de quem pergunta onde José estava na crucificação: pelo que os Evangelhos deixam ver, ele muito provavelmente já tinha falecido.

E as respostas sobre a idade e a forma da morte? Elas existem, mas vêm da tradição, não das Escrituras. Existe um texto apócrifo, escrito entre os séculos 6 e 7, que narra a história de José e detalha o seu falecimento. Apesar de rico em detalhes, é uma narrativa romantizada e duvidosa quanto aos fatos. Fica então a distinção: se alguém disser que José morreu com determinada idade ou de determinada doença, isso é tradição cristã, não algo que a Bíblia registre.

Outra curiosidade é que não se sabe onde José foi sepultado. Vale lembrar que, assim como Maria, José nunca reivindicou honras para si mesmo. No fim, o que mais marca nele é o tipo de fé que teve, uma fé silenciosa. José não prega, não faz milagres, não deixa nenhuma frase para a história. Ele obedece a Deus e cuida de quem lhe foi confiado. A vida de José mostra que servir a Deus no lugar comum, no trabalho e na família, também é grande diante dele.

Saiba: O que são Livros Apócrifos.

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