O que é misoginia? A Bíblia promove misoginia?

Misoginia é o desprezo ou a repulsa contra mulheres. Uma pessoa misógina não gosta de mulheres e trata-as de maneira errada. A Bíblia não promove nem aprova a misoginia. Deus criou tanto homens quanto mulheres para Sua glória, com valor igual. Cada pessoa é importante e preciosa para Deus, seja homem ou mulher.

A misoginia vai contra os princípios bíblicos do amor e do respeito. Onde há misoginia acontecem todo tipo de abusos contra mulheres, como maus-tratos, desrespeito, restrição de direitos e liberdades e até violência. A misoginia estraga o relacionamento entre homens e mulheres, que deveria ser de amizade e companheirismo. Isso oprime as mulheres, causando-lhes muito sofrimento, e também tem consequências negativas para os homens, que rejeitam o dom que Deus lhes deu da amizade com mulheres (Gênesis 2:18).

O pecado - o origem da misoginia

No princípio, Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1:27). A mulher foi criada como companheira do homem, alguém que o entendia e lhe podia corresponder. Esse tipo de amor e entre-ajuda somente acontece quando há respeito dos dois lados. Rebaixar a mulher para uma posição de servidão, ridículo ou desprezo é um afastamento do plano de Deus.

O pecado trouxe a maldição da luta entre homens e mulheres (Gênesis 3:16). Os homens, sendo geralmente mais fortes, tendem a dominar mas o pecado corrompe quem tem poder. Isso leva a abusos. A misoginia está muito ligada ao desprezo por tudo que parece mais fraco ou vulnerável e à glorificação da força e violência. A Bíblia, por outro lado, dá valor a todos, sejam fracos ou fortes, oprimidos ou poderosos.

Jesus veio para derrotar o pecado e restaurar todas as coisas. Na vida do cristão não deve haver lugar para a misoginia porque é pecado. Quem ama Jesus ama a todos, porque em Jesus não há diferença entre homens e mulheres (Gálatas 3:26-28). Todos somos alvo de seu amor!

A Bíblia nos ensina a amar e valorizar cada pessoa. Algumas pessoas usam a Bíblia para justificar a misoginia mas isso é distorcer a palavra de Deus. A Bíblia ensina que homens e mulheres têm algumas diferenças físicas mas nunca diz que as mulheres são inferiores. No Antigo Testamento, Deus estabeleceu várias leis em Israel para proteger as mulheres da misoginia e, no Novo Testamento, Jesus sempre valorizou as mulheres e várias tiveram um papel importante na pregação do evangelho.

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A misoginia e suas consequências na Bíblia

Embora não aprove da misoginia, a Bíblia relata casos de misoginia na vida real. A Bíblia reconhece que esse tipo de atitude acontece. Foi por isso que Deus criou leis para proteger as mulheres.

Na lei de Moisés, o homem israelita não poderia usar sua esposa como objeto, para depois ser jogada fora ou trocada por outra. Ele tinha de tratá-la direito e garantir seu sustento. Nos tribunais as mulheres tinham o mesmo direito a um julgamento justo que os homens. Deus até declarou maldições contra quem maltratasse mulheres indefesas (Deuteronômio 27:19).

Mesmo assim, o povo de Israel não obedeceu fielmente à lei de Deus e aconteceram vários casos de misoginia.

Ló e os homens de Sodoma

Ló, sobrinho de Abraão, morava em Sodoma e tinha duas filhas que ainda não eram casadas. Quando Deus enviou dois anjos (que pareciam homens) a Sodoma para avaliar a situação da cidade, Ló abriu sua casa para eles passarem a noite. Mas os homens da cidade cercaram a casa e tentaram tirar os homens de lá para violentá-los. Ló, considerando a vida de suas visitas mais importante, ofereceu suas próprias filhas aos homens, para serem usadas! - Gênesis 19:6-8

Felizmente, os anjos salvaram o dia, ferindo os atacantes com cegueira. Mas essa situação mostrou como o relacionamento de Ló com suas filhas não era bom. Mais tarde, essa misoginia teve consequências muito ruins. As filhas de Ló, se sentindo completamente dependentes de homens, desesperaram quando viram que não iriam conseguir casar nem ter filhos (Gênesis 19:31-32). Por isso, embebedaram e estupraram o próprio pai!

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O levita e os homens de Benjamim

Séculos mais tarde, no tempo dos juízes, aconteceu um caso parecido em uma cidade da tribo de Benjamim. Um levita estava passando a noite na cidade com sua concubina e vários homens vieram para o atacar. O levita, em um ato de covardia total, mandou sua concubina para fora, para ser atacada no seu lugar! Os homens estupraram a mulher a noite toda e ela morreu (Juízes 19:25-26).

A misoginia de todos os homens envolvidos nessa história levou a uma guerra entre a tribo de Benjamim e as outras tribos de Israel. A tribo de Benjamim quase foi exterminada e muitas pessoas sofreram as consequências. Nessa época, o povo de Israel não tinha líder e cada um fazia o que achava melhor, muitos sem respeito pela lei de Deus (Juízes 21:25).

Tamar e Amnom

Quando Davi se tornou rei, ele teve vários filhos de esposas diferentes. (Deus recomendou contra o rei ter várias esposas, mas Davi não obedeceu.) Um de seus filhos, chamado Amnom, se apaixonou por sua meia-irmã Tamar. Em vez de olhar para ela como uma pessoa digna de respeito e ficar longe dela, Amnom apanhou sua irmã sozinha e a violentou. Quando tinha terminado, ele teve nojo de Tamar e a expulsou de sua presença (2 Samuel 13:14-15).

Esse ato terrível e misógino não foi punido por Davi, embora ele tivesse ficado indignado com Amnom. O resultado foi que Absalão, irmão inteiro de Tamar, assassinou Amnom e passou a odiar o pai por não ter feito justiça. Absalão mais tarde conspirou para roubar o trono ao pai, causando uma guerra civil. Muitas pessoas morreram por causa de um ato de crueldade contra uma mulher.

Jesus e a mulher apanhada em adultério

Em certa ocasião durante seu ministério, Jesus foi confrontado pelos fariseus com o caso de uma mulher apanhada em adultério (João 8:3-5). Eles afirmaram que a lei de Moisés mandava executar mulheres adúlteras por apedrejamento. Na verdade, a lei ordenava que tanto o homem quanto a mulher apanhados em adultério deveriam morrer, depois de um julgamento justo (Levítico 20:10). Mas os fariseus estavam colocando a culpa toda sobre a mulher.

Jesus respondeu que quem não tivesse nunca pecado deveria lançar a primeira pedra. Analisando suas próprias vidas, todos foram embora, deixando a mulher livre. Jesus também não condenou a mulher mas apenas a advertiu a não pecar mais (João 8:9-11). Jesus não permitia uma leitura misógina da lei de Deus.

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Jesus e a mulher samaritana

Em outro momento de seu ministério, Jesus estava passando por uma cidade samaritana e começou uma conversa com uma mulher junto ao poço da cidade. Quando os discípulos voltaram de comprar comida na cidade, eles ficaram surpresos que Jesus estava conversando com ela (João 4:27). Sua surpresa não era por ela ser samaritana, nem por ter má fama, mas por ela ser mulher!

Nessa época, homens importantes não se dignavam a ter conversas com mulheres. Mas Jesus foi diferente. Ele ensinou à mulher algumas lições muito importantes sobre a salvação e a verdadeira adoração a Deus. Enquanto os discípulos tinham dificuldade em ver além de sua cultura misógina, Jesus deu valor à mulher e a tratou como igual. O resultado foi que a mulher levou a cidade toda para Jesus (João 4:39-41).